Mulher loira sorrindo
05 out 2026 3 min de leitura 1 visualizações

Você já teve a sensação de estar lutando por um objetivo importante, mas, bem na hora em que as coisas começam a dar certo, encontrou uma forma sutil, ou nem tanto, de colocar tudo a perder? Pode ser aquele projeto que você adia até perder o prazo, a dieta que é interrompida logo no primeiro obstáculo ou o distanciamento repentino de alguém que nos faz bem. Esse ciclo frustrante costuma vir acompanhado de uma onda pesada de culpa: "Por que eu sempre estrago tudo?"

A autossabotagem costuma ser vista como falta de força de vontade ou pura autocrítica descabida, mas, na prática, ela funciona de forma muito diferente. Na maioria das vezes, esses comportamentos não são um desejo de fracassar, mas sim uma tentativa desajeitada de nos proteger de algo que nos assusta ainda mais: a exposição, a vulnerabilidade, o sucesso inesperado ou a possibilidade dolorosa de não corresponder às expectativas.

O que é a autossabotagem e por que ela acontece?

O que é a autossabotagem e quais são suas raízes emocionais?

A autossabotagem é um conjunto de comportamentos e padrões inconscientes que impedem o indivíduo de atingir seus objetivos, funcionando frequentemente como um mecanismo de defesa contra o medo do fracasso, da rejeição ou do desconhecido.

Sob a perspectiva da flexibilidade psicológica e da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a autossabotagem está profundamente ligada à esquiva experiencial. Quando nos sentimos ameaçados pelo desconforto de tentar algo novo, de errar ou de nos expor, a mente recorre a velhos hábitos protetores, como a procrastinação, a distração ou o abandono precoce de metas, para nos afastar do sofrimento imediato. A ACT nos convida a sair dessa luta automática: o objetivo não é eliminar o medo ou a insegurança, mas aprender a abrigar essas sensações no corpo sem deixar que elas comandem as nossas escolhas e os nossos passos.

Como identificar os padrões e começar a transformar esse ciclo

Superar a autossabotagem não exige que você se force a ser perfeita ou destemida o tempo todo. O caminho passa por cultivar uma relação mais gentil e consciente com as próprias fragilidades:

Observar sem julgar a si mesma: Quando perceber que está adiando algo importante ou criando obstáculos no próprio caminho, tente pausar. Em vez de se punir com críticas severas, pergunte-se com curiosidade: "Do que exatamente essa atitude está tentando me proteger?"

Diferenciar o medo da incapacidade: Sentir frio na barriga ou insegurança diante de um desafio não significa que você não seja capaz. Significa apenas que você está saindo da zona de conforto.

Dar passos pequenos alinhados aos seus valores: Em vez de focar na grandiosidade do resultado final, o que costuma paralisar, pergunte-se qual é a menor ação possível que você pode fazer hoje, mesmo sentindo medo, para cuidar daquilo que realmente importa para você.

Isso não significa que você nunca mais vai hesitar ou que os velhos hábitos vão sumir da noite para o dia. A verdadeira transformação acontece quando você para de lutar contra a própria vulnerabilidade e aprende a construir, dia após dia, um espaço de acolhimento e compromisso com os seus próprios sonhos.


Carol, psicóloga clínica, sorrindo
Caroline Casagrande Psicóloga Clínica · CRP 13/13484

Psicóloga clínica desde 2011, especializada em mulheres na abordagem ACT, atendimento 100% online.

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