mulher se olhando no espelho com autoestima saudável
25 set 2026 3 min de leitura 4 visualizações

Muitas vezes, pensamos na autoestima como algo fixo, como se algumas pessoas tivessem nascido com uma confiança inabalável e outras, simplesmente, ficado sem essa sorte. Se você cresceu em um ambiente onde a exigência era alta, a comparação constante ou o acolhimento escasso, é muito provável que não tenha aprendido a olhar para si mesma com gentileza. E quando a base que nos deram foi a da autocrítica, é natural que, na vida adulta, a gente se torne a nossa própria juíza mais severa.

A boa notícia é que a autoestima não é um traço de gênio com o qual precisamos nascer, nem um estado de perfeição que se alcança de uma vez por todas. Mais do que gostar de cada detalhe da própria imagem ou sentir-se segura o tempo todo, cultivar a autoestima no dia a dia é aprender a construir uma relação de respeito e parceria com quem você é, especialmente nos dias em que tudo parece difícil.

O que é a autoestima e como ela se constrói na prática?

O que significa ter autoestima quando não fomos ensinados a isso na infância?

A autoestima refere-se à avaliação global que o indivíduo faz de seu próprio valor e competência, sendo cultivada no dia a dia por meio de práticas conscientes de autocompaixão, respeito aos próprios limites e ações alinhadas aos valores pessoais.

Sob a perspectiva da flexibilidade psicológica e da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a autoestima rígida baseada em "preciso provar meu valor o tempo todo" costuma ser uma armadilha. A verdadeira transformação acontece quando mudamos a forma como nos relacionamos com a nossa autocrítica. Em vez de tentar eliminar pensamentos de inadequação, o que só gera mais luta interna, aprendemos a abri-los mão do julgamento automático, agindo com cuidado e coerência com o que é importante para nós, independentemente do medo de não ser suficiente.

Como começar a cultivar a autoestima na rotina

Aprender a cuidar da própria autoestima quando não tivemos esse modelo exige paciência e prática. Não se trata de dar saltos gigantescos de confiança, mas de pequenos movimentos cotidianos:

  • Observar a voz da autocrítica: Quando o pensamento "eu não dou conta" ou "eu fiz errado de novo" surgir, tente criar um pequeno espaço de pausa. Note que isso é um pensamento, e não uma sentença absoluta sobre o seu valor.

  • Praticar a autocompaixão: Pergunte-se como você falaria com uma amiga querida que estivesse passando pela mesma situação. Provavelmente, você usaria muito mais gentileza do que a cobrança que impõe a si mesma.

  • Valorizar os pequenos passos: A autoestima se fortalece quando reconhecemos nossas escolhas diárias alinhadas aos nossos valores, seja estabelecer um limite necessário, dizer não a algo que nos esgota ou simplesmente descansar sem culpa.

Isso não significa que você nunca mais vai duvidar de si mesma ou que a insegurança vai sumir para sempre. O que muda é o lugar de onde você parte: em vez de abandonar a si mesma nos momentos de vulnerabilidade, você aprende a ser um porto seguro para a própria jornada.


Carol, psicóloga clínica, sorrindo
Caroline Casagrande Psicóloga Clínica · CRP 13/13484

Psicóloga clínica desde 2011, especializada em mulheres na abordagem ACT, atendimento 100% online.

Quem leu esse artigo também se interessou por